Apresentação
O JOÃO PESSOA CONVENTION & VISITORS BUREAU - JPAC&VB é um Instituto privado, sem fins lucrativos, que atua como escritório de apoio técnico e institucional em processos de captações de eventos, divulgação do destino João Pessoa e no suporte a políticas públicas de turismo.
A Missão do JPAC&VB é contribuir decisivamente para o desenvolvimento econômico, social e turístico de João Pessoa, tornando-a um destino preferencial para sediar eventos e atrair visitantes, proporcionando maiores e melhores oportunidades de negócios aos seus associados, parceiros e colaboradores.
Oferecemos apoio técnico, logístico e institucional, para que as Entidades representativas de Classe (Associações, Sindicatos, Conselhos Regionais, Federações e afins) possam captar e realizar seus eventos com uma melhor estruturação e qualidade. Salientamos ainda, que as ações de apoio à captação e realização dos eventos, não oneram em nenhum custo as Entidades de Classe.
O João Pessoa Convention & Visitors Bureau (JPAC&VB) tem intensificado campanhas de captação de eventos nacionais e internacionais para a capital paraibana. Para isso, faz-se necessário o contato com as Entidades de Classe e do "trade" turístico, a exemplo do SEBRAE, ABIH, ABRASEL, ABAV, ABBTUR, ABLA, ABCMI, SINGTUR, ABEOC, SHRBS, ABRAJET, FUNESC, PARLATUR, Instituições de Ensino Superior, Associação Comercial, Conselhos Regionais, Câmara de Dirigentes Lojistas, Governo da Paraíba e Prefeituras de João Pessoa, Cabedelo e Conde, com o intuito de firmar parcerias de cooperação técnica, e tentar, de forma conjunta, captar eventos dos mais diversos segmentos profissionais.
Sabendo que a movimentação do segmento de eventos é feita pelas Entidades de Classe, nosso objetivo é incentivar e apoiar a captação e a realização destes, fazendo com que todos passem a executar este trabalho com conjunto com o JPAC&VB para alavancar o segmento do Turismo de Negócios e Eventos. O trabalho de captação de eventos nacionais e internacionais de médio e grande porte é importante para o nosso destino, pois gera emprego, renda, melhoria na infra-estrutura da cidade e uma imagem positiva de João Pessoa, além de visibilidade para as Entidades e Organismos que conseguem maior credibilidade nacional e internacional.
Convention Bureaux – Mais de um Século de Sucesso Por Rui Carvalho
A história da origem dos CVB’s é tão antiga quanto curiosa! Pelo que se sabe, no final do século XIX, a linha de montagem criada por Henry Ford em Detroit para a produção em série dos automóveis da marca, começava a chamar a atenção de empresários de outros estados e países pelo sucesso obtido com o aumento da produtividade e racionalização dos custos de produção , introduzindo o conceito de economia de escala. Naquela época, a cidade fundada por Jean De La Mothé Cadillac, era famosa como uma das mais ativas produtoras de fogões e móveis de cozinha do país!
Foi num desses dias, mais precisamente no dia 06 de fevereiro de 1896, que Milton Carmichael, um jornalista recém chegado de Indiana, ligado ao Partido Republicano, veio trabalhar no The Detroit Journal, um dos principais periódicos da época, e escreveu o texto que reproduzimos abaixo, e que pode ser considerado o estopim para a fundação do primeiro convention bureau do mundo! Chamamos a atenção para a acurada visão estratégica demonstrada por Carmichael, falecido em 1948, evidenciada na aparente simplicidade do texto, o qual, após uma análise mais cuidadosa, revela uma modernidade difícil de entender em pleno século XIX: “...Ao longo dos últimos anos Detroit construiu fama de cidade de convenções. Visitantes vêm de milhares de quilômetros de distância para participar de eventos empresariais. Fabricantes de todo o país usam nossa hotelaria para promover reuniões onde discutem os temas de seus interesses, mas tudo isso sem que haja um esforço por parte da comunidade, nem uma ação que vise dar-lhes algum apoio durante sua estadia entre nós! Eles simplesmente vêm para Detroit porque querem ou precisam! Será que Detroit, através de um esforço conjunto, não conseguiria garantir a realização de 200 ou 300 convenções nacionais ao longo do próximo ano? Isso significaria a vinda de milhares e milhares de pessoas de todas as cidades americanas, e elas gastariam milhares de dólares no comércio local, beneficiando a população da cidade.”
Com este artigo, Carmichael conseguiu despertar o interesse de alguns empresários e comerciantes membros da Câmara de Comércio e do Clube dos Fabricantes, os quais, em reuniões com hoteleiros, agentes de venda do sistema ferroviário e outros comerciantes, decidiram, em encontro acontecido no hotel Cadillac, fundar uma organização para promover, de forma ordenada, um esforço contínuo para atrair mais convenções para a cidade. Assim surgia The Detroit Convention and Businessmen’s League, ou Liga de Convenções e Homens de Negócio de Detroit, primeiro nome da entidade que em 1907 passou a adotar a denominação de Detroit Convention & Tourists Bureau. Nessa época, o convention tinha um pouco menos de 20 empresas associadas, mas a idéia vingou e começou a dar frutos em outras cidades dos Estados Unidos e até do exterior. Em 1915 havia 12 outros conventions, cujos representantes se encontraram em Detroit para formar a organização que hoje é a IACVB – International Association of Convention & Visitors Bureaux, entidade que reúne centenas de CVB’s do mundo todo.
O surgimento do primeiro convention do mundo, como vimos, foi motivado por um singelo artigo de jornal que questionava a passividade dos empresários locais com relação aos benefícios da vinda de visitantes para a cidade. Entretanto, um fato histórico ajudou a dar visibilidade mundial à cidade de Detroit, e vai ficar, para sempre, ligado à história dos conventions: Naquele mesmo ano de 1896, Charles B. King saiu de sua loja em St. Antoine dirigindo uma carruagem sem cavalos, movida por um motor de dois tempos, num fato inédito que marcaria o início do surgimento da indústria automobilística que, até hoje, é a marca de Detroit. Era a primeira vez que um automóvel era dirigido pelas ruas da cidade e o autor dessa façanha, Charles King, que chegou a ter dificuldades com as autoridades locais por sua ousadia, coincidentemente, foi um dos fundadores do convention de Detroit.
Evidentemente, as coisas não foram tão fáceis como alguns podem imaginar. Quando Carmichael falou em investimento, em gastar dinheiro para trazer gente de fora, imediatamente algumas vozes mais conservadoras alegaram que seria um desperdício aplicar recursos próprios num projeto tão mirabolante. Segundo essa corrente, caberia às autoridades locais investir na vinda de visitantes e na captação de eventos! Mas a visão estratégica do jornalista, que insistia em defender que cabia à comunidade empresarial se unir e não ficar esperando a iniciativa do poder público, acabou por prevalecer. A independência financeira e a ausência de qualquer ingerência política, são, até hoje, um dos traços mais marcantes dos conventions em todo o mundo.
Como se vê, Carmichael já enfrentava lutas delicadas naquela época, inclusive uma que durou mais de 50 anos, que foi o empenho pela construção de um centro de convenções de grande porte, capaz de abrigar eventos como o Detroit Auto Show, maior orgulho da poderosa indústria automobilística que se formou no município. Num boletim de 1913 o convention alertava que, devido à falta de espaço adequado, a cidade perdera cerca de 3.500 grandes eventos nos últimos seis anos! Por incrível que pareça, essa é uma situação que ainda aflige alguns conventions mundo afora, principalmente no Brasil, mas, como podemos constatar, é uma reivindicação que, se não tem dado muitos resultados práticos, pelo menos conta com uma considerável herança histórica.
Com todos os problemas, no entanto, os empresários de Detroit, liderados pelo jornalista Carmichael, acabaram por formatar o conceito que viria a dar origem ao primeiro convention do mundo funcionando nos mesmos moldes dos de hoje – o London Convention & Visitors Bureau, fundado, já com essa denominação e características, em 1905. Desde então muita coisa mudou, o turismo cresceu e ganhou importância estratégica para muitos países. Transformou-se em produto de exportação, atividade geradora de emprego e renda, assumiu status de impulsionador do desenvolvimento e ganhou as páginas de economia dos principais meios de comunicação. Entretanto, a idéia de entidades agindo na captação de eventos e na divulgação dos atrativos turísticos de uma cidade ou região para aumentar o fluxo de visitantes, vem sendo consolidada nos cinco continentes, foi ganhando corpo, e hoje, existem mais de 1000 conventions espalhados pelo mundo!
Em todo esse processo, que já dura mais de um século, é importante perceber que uma constatação ajudou a deslocar as discussões em torno dos convention bureaux da área de turismo para o setor de economia: é o peso da cadeia produtiva do turismo de negócios. De fato, ao agirem na captação de eventos, os conventions acabam impactando direta ou indiretamente uma série de atividades que não estão, necessariamente, ligadas ao turismo! São empresas que prestam serviços auxiliares em eventos, como segurança, limpeza, gráficas, recepcionistas, tradução simultânea, transporte, floriculturas, shows, buffets, restaurantes, casas noturnas, shoppings, táxis, enfim, um universo calculado em mais de cinqüenta atividades que, somadas, formam parte da economia do turismo que, calcula-se, seja responsável por cerca de 8% do PIB nacional. Evidentemente, para se chegar a esse número, é preciso incluir na conta o faturamento das empresas que, temporariamente, se juntam à atividade turística em si, ainda que de forma indireta, para formar a dita Economia do Turismo. Assim, quando uma construtora, por exemplo, está levantando um hotel, passa a integrar a economia do turismo. Seguindo o mesmo raciocínio, quando o hotel acionar a indústria têxtil com a compra dos suprimentos de cama, mesa e banho de que vai precisar, passará também a somar pontos na economia do turismo, bem como a indústria cerâmica ao fornecer as louças de que o hotel vai precisar, e assim por diante, num círculo virtuoso que espalha benefícios por toda a cadeia produtiva.
Ao fazer girar essa roda da fortuna, os CVB’s conseguiram desviar o foco de discussão da área do interesse turístico para a do desenvolvimento econômico. Hoje, no Brasil, os mais de 45 CVB’s existentes, são mais solicitados pelos cadernos de economia dos jornais do que pelos tradicionais veículos do trade turístico, embora, é claro, um bom convention bureau, deva representar com bastante propriedade todo o trade turístico local. Evidentemente, indo muito além disso, os conventions modernos e mais atuantes, têm sua base de representação bastante ampliada, conseguindo uma abrangência que lhes dá legitimidade para discutir, propor e executar políticas regionais de turismo e influenciar as autoridades na condução dos investimentos no setor, com reflexos muito positivos na atividade econômica das regiões ou cidades que representam.
Por fim, ao agrupar-se em torno da Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, entidade que já representa mais de 40 diferentes conventions, o setor tende a crescer em importância e peso político, agindo como caixa de ressonância de uma atividade que é responsável por um faturamento de 37 bilhões de reais anuais (3,1% do PIB), que emprega quase três milhões de pessoas e recolhe 4,2 bilhões de reais em impostos com a realização de 320 mil eventos por ano. São números, qualquer que seja o ângulo que se adote, que não podem ser ignorados por nenhuma política nacional de turismo, e que, por si só, atestam a pujança do setor e o acerto de Milton Carmichael, quando, lá nos idos de 1896 em Detroit, quase que sem querer, deu origem ao conceito que hoje é reconhecido mundialmente como receita de sucesso para o fomento da atividade econômica e do turismo de negócios, os Convention & Visitors Bureaux.
Colaborou na pesquisa: Gustavo Vilela Fernandes, do Campinas CVB.
